Vamos passear no parque ( deixa o menino brincar)


Outro dia parada aqui no bairro fiquei olhando as pessoas que transitavam pela rua.
Alí atrás tem um morro, saca? Biqueiras fáceis. Entre mulheres andando, meninas em duplas de braços dados brincando e homens que lavam seus carros na calçada, observo:
Dois meninos subindo a vielinha que finda a favela e vindo em direção ao asfalto.
Um menino de aproximadamente 7 anos acompanha um outro garotinho de bicicleta, esse devia ter uns 5 anos mas sua agilidade na pequenina bicicleta o fazia de movimentos bruscos e perspicazes. Dois pequenos ligeiros de esperteza visível .
O menor parecia estar ganhando um favor do outro, em seu diálogo percebo que o maiorzinho o acompanha até, talvez uma doceria, sei lá.
Ouço o maior falar: Porra, caralho, vai tomar no meio do seu cú seu pivete arrombado. Tu é chato pra caralho.
O maior: Eu não vou mais com vc seu filho de uma puta, vai cherar! ( e voltando do caminho).
O menor faz uma cara de triste e vejo que quase desce uma lágrima de seu rosto ainda de criança, mas como num instante sua face se enche de raiva e seu olhar se torna cruel e maldoso.
Não vejo mais em seu rosto a doçura, não vejo mais em seus traços a alegria despreocupada de uma criança.
Ele aumenta a velocidade de sua pequenina bicicleta meio que medindo forças com o maior e diz: ” Vai tomar no seu cú, filho da puta.”
Os dois correm disputando uma corrida em busca de sua morada, um a duas rodas para compensar sua “falta de grandeza”, o outro corre e naturalmente toma a frente.
Não vejo mais as duas silhuetas negras e pequeninas.
Nesse momento vejo se afastar a mais cruel das realidades, a realidade que não me encontro mas que compreendo.
A realidade transgredida, a falta de esperança medida em valores vivencias do dia a dia de uma favela. A construção de caráter refletida em exemplos sub-humanos, onde a necessidade se faz presente não por falta de entretenimento e sim de alimento e saúde. Mais além ainda, de humanismo.
Tirem suas conclusões Ladies and Gentlemans.

2 comentários:

Tomatti and Claudecir disse...

A periferia ainda bate na mesma tecla errada... desunião.

Vc mora no Angela ou perto dele por acaso? XD

microfonia verbal disse...

Tava na cara que eram irmãos...
Exatamente isso Dan... falta de união, de irmandade mesmo.

Mas isso eles aprendem em casa, mas que casa?

Moro perto do Grajaú, rs.
Mas Angela e Graja... lado a lado, rssss.

Beijo